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Ateliê Morada, por Henrique Prata: a arquitetura como ato de memória.
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3 minutos de leitura
  |   12/05/2026
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Existe uma diferença sutil, mas fundamental, entre um espaço decorado e um espaço habitado. O Ateliê Morada, ambiente que o arquiteto e designer Henrique Prata assina na Campinas Decor 2026, pertence com clareza à segunda categoria.


Concebido como um refúgio urbano para a matriarca de uma família que vive no campo, o loft de 45m² foi desenhado para acolher uma rotina dividida entre dois mundos. É um espaço que fala de deslocamentos, mas sobretudo de pertencimento. A Quick-Step participa desse ambiente em parceria com a Ateliê Revestimentos.


A premissa é simples apenas à primeira vista. O projeto nasce da ideia de criar um lugar de acolhimento em meio à velocidade da cidade, sem romper os vínculos com a natureza, as memórias e os afetos construídos ao longo de uma vida. Mas Henrique não se deteve à função.

"O Ateliê Morada nasceu da ideia de traduzir afeto em espaço", conta o arquiteto. A inspiração veio das lembranças simples da vida rural, da relação cotidiana com a natureza, da sensação de pertencimento e dos objetos que carregam histórias. O resultado é um ambiente que parece ter sido construído ao longo do tempo, não apenas executado em obra.


A composição das materialidades sustenta essa narrativa. Madeira, tecidos de textura densa, vegetação e uma iluminação trabalhada em camadas se organizam com uma coerência quase intuitiva. "Tudo conversa entre si de forma muito orgânica", afirma Henrique, "reforçando o storytelling da família fictícia que habita o ambiente."


No chão, o piso vinílico clicado Vivre Avignon, da Quick-Step, ancora todo esse universo com discrição e precisão. A naturalidade da peça, sua textura, seus tons e os suaves veios que remetem à pedra criam continuidade visual sem se impor. "O Avignon trouxe aconchego visual e uma naturalidade muito importante para o projeto", avalia Henrique. "Ele conecta todos os elementos de forma leve."

É o tipo de escolha que raramente chama atenção para si mesma, mas cuja ausência seria imediatamente percebida. Um elemento que costura a narrativa do ambiente e reforça sua atmosfera acolhedora.


O maior desafio, segundo o arquiteto, foi encontrar o equilíbrio entre sofisticação e afeto sem cair no excesso de cenografia. O objetivo era que o espaço transmitisse autenticidade, como se tivesse sido habitado ao longo dos anos. "Queria que o ambiente parecesse vivido, não encenado. Cada decisão precisou ser muito sensível para preservar essa autenticidade."

Mais do que um ambiente de mostra, o Ateliê Morada representa um momento de maturidade criativa na trajetória de Henrique Prata. Uma síntese do olhar que orienta seu trabalho e da arquitetura em que acredita.


"Criar espaços que contêm histórias e despertem sentimentos."


Talvez seja justamente isso que torna o projeto tão memorável. Em vez de impressionar pelo excesso, ele convida à permanência. E, ao fazê-lo, nos lembra que os espaços mais significativos são aqueles capazes de nos fazer sentir em casa — mesmo quando estamos longe dela.


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