Arquitetos de destaque constroem seus moodboards e os traduzem em projetos reais, inspirando, alinhando expectativas e revelando o caminho entre a ideia e o ambiente finalizado.
Conversamos com a Julliana Camargo, arquiteta formada pelo Mackenzie (SP) e com passagens por cursos de Arquitetura e História da Arte em Florença, Paris, Barcelona e Berlim — profissional que leva a Quick-Step para seus projetos no Brasil e no exterior, combinando repertório internacional e um olhar sensível para cada detalhe.
Julliana conta que o moodboard surge logo no início do projeto — não como uma etapa isolada, mas entrelaçado com a concepção do estilo:
“Quando começamos a pensar no conceito, no estilo do projeto já pensamos na composição de materiais – revestimentos, tecidos, cores e texturas. Com as imagens cada vez mais realistas e com a possibilidade de criá-las logo no anteprojeto, o moodboard já surge para complementar, ajudar a enxergar e sentir o projeto.”
Insight: ao se tornar matriz conceitual, o moodboard permite validar narrativas estéticas antes do desenvolvimento executivo, reduzindo retrabalhos e acelerando decisões.
Elementos essenciais: referências, palavras-chave e sensações
Para Julliana, um bom moodboard nasce de referências múltiplas e de um entendimento profundo do cliente:
“ Ele surge de referências que podem vir de várias formas: uma referência de viagem, de comida, de lugares visitados. Ou mesmo de exposições de arte ou moda. Gosto muito de observar tanto arte quanto moda para me inspirar em cores e sensações. Também buscamos trazer para o moodboard palavras-chave de um bate-papo com os clientes, como estilo de vida, dia a dia, hábitos, costumes e hobbies.”
Físico vs. digital: o híbrido ideal
“Ter os elementos físicos é essencial – enxergar e pegar nos revestimentos como piso, revestimentos de parede – cerâmicas, texturas, tecidos, a lâmina da marcenaria… todos esses elementos são essenciais para compor um belo moodboard e sentir ele de perto fisicamente para mim é crucial.”
Mas para otimizar o dia a dia, Julliana adota um método híbrido, digital para agilidade como colagem, ajustes rápidos, integração com renderizações e imagens de referência e físico para validar materialidade real como reflexo, textura, variação cromática sob luz natural.
Esse cruzamento garante que as decisões estéticas feitas na tela se confirmem no mundo real.
O moodboard não é apenas estética, é estratégia. É a ponte entre o desejo do cliente, a visão do arquiteto e a realidade dos materiais. Com ele, cada revestimento, cada textura, cada cor deixa de ser apenas uma opção isolada para ser parte de uma narrativa coerente.
Uma ferramenta de inspiração, refinamento e alinhamento.
“Ajuda muito! Ele nos inspira a imaginar o uso do espaço, provocando sensações antes mesmo de ficar pronto. O moodboard faz parte do nosso processo criativo, é uma ferramenta de refinamento e alinhamento de todas as decisões do projeto.”
• Inspiração: projetar o espaço além do plano, visualizar luz, textura, atmosfera, sensações.
• Refinamento: testar combinações, ver o que funciona ou não antes de definir tudo.
• Alinhamento: para quem não tem vocação visual, esse painel torna palpável o que está sendo idealizado — cores, materiais, peso visual — dando base concreta para aprovação e evitando surpresas no final.
Neste artigo você confere imagens de um projeto autoral de Julliana, o apartamento Joaquim Antunes, onde o piso laminado Quick-Step Impressive Carvalho Suave Médio compõe perfeitamente esse moodboard e reforça a atmosfera contemporânea do projeto.