Há espaços que não pedem pressa. Pedem pausa.
Em sua segunda participação na CASACOR São Paulo, a RODRA Arquitetura, assinada por Rodra Cunha, apresenta o ambiente “Fantasia à Mesa”, uma sala de jantar que transforma memória e imaginação em linguagem arquitetônica. A Quick-Step participa do projeto com o piso laminado Impressive Carvalho Clássico Natural.
Inspirado no tema “Mente e Coração”, o projeto parte de um território sensível entre o real e o imaginado. Referências do universo visual de Maria Antonieta, reinterpretadas a partir do filme de Sofia Coppola, surgem não como citação literal, mas como atmosfera. O rococó aparece dissolvido, traduzido em leveza, cor e textura. “Fantasia à Mesa nasce desse lugar entre o racional e o sensível, onde a arquitetura pode ser também narrativa e emoção”, explica Rodra. Com 45 m², a sala de jantar se constrói como um cenário em suspensão. O tempo não desaparece, ele desacelera. E nesse intervalo, a mesa deixa de ser apenas mobiliário para se tornar gesto central do projeto.
No coração do ambiente, a mesa desenhada pelo próprio arquiteto organiza o espaço e estabelece o ritmo da experiência. Mais do que peça funcional, ela se torna ponto de encontro e eixo narrativo.
“A sala de jantar é um lugar de troca e presença. Um espaço onde o pensamento desacelera e o afeto ganha forma”, afirma Rodra. A materialidade acompanha essa construção sensorial. O teto assume protagonismo com uma releitura contemporânea dos ornamentos clássicos franceses, enquanto boiseries em portas e rodapés reforçam a delicadeza estrutural do conjunto. Um lustre de vidro sobre a mesa adiciona leveza e brilho, evocando a sofisticação dos salões históricos sem recorrer à literalidade.
Como base desse cenário, o piso laminado Impressive Carvalho Clássico Natural, da Quick-Step, estabelece uma camada de continuidade e equilíbrio. Seus veios, nós e texturas reproduzem com precisão a aparência da madeira natural, criando uma superfície que sustenta o espaço sem competir com ele. A leitura visual é suave, mas presente, contribuindo para a unidade entre os elementos clássicos e contemporâneos. Em determinados momentos, a luz natural atravessa o ambiente e revela outra camada do projeto. A atmosfera se torna mais íntima, com poltronas clássicas convivendo com peças contemporâneas, criando um deslocamento sutil entre passado e presente.
Há também um gesto de origem que atravessa o projeto. Referências ao Rio Grande do Norte, terra natal do arquiteto, aparecem em desenhos manuais e detalhes sutis, estabelecendo um diálogo entre o imaginário francês e a memória afetiva brasileira. Não como contraste, mas como sobreposição sensível. A curadoria de arte reforça essa narrativa, ampliando a experiência sensorial do espaço. Cada obra contribui para a construção de uma atmosfera que não se limita à estética, mas se expande como vivência.
Depois de anos em que o silêncio e a neutralidade dominaram muitos interiores, “Fantasia à Mesa” surge como um movimento de retorno ao gesto, à camada e à presença. Não como excesso, mas como linguagem.
No fim, o projeto propõe um convite simples e raro: habitar o tempo de forma mais lenta. Porque há arquiteturas que não apenas organizam o espaço, mas reorganizam a forma como o vivemos.