Toda casa tem um centro de gravidade.
Nem sempre é a sala, a varanda ou o quarto principal. Nas casas brasileiras e latino-americanas, quase sempre ele está na cozinha, onde conversas se alongam, receitas atravessam gerações e encontros ganham significado.
O Restaurante TERRA, assinado por Elena Furlan da França e Giovana Lima para a Campinas Decor 2026, parte dessa memória coletiva. A Quick-Step participa do projeto em parceria com a Ateliê Revestimentos. Desenvolvido pelo EMAU, Escritório Modelo do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniMAX, o espaço foi pensado para a mostra, mas se afasta da ideia tradicional de restaurante. A proposta é recriar a atmosfera das casas onde a vida acontece ao redor da comida.
"O TERRA nasce da ideia de origem. Da mãe terra, da casa das nossas avós, da figura da matriarca que acolhe, reúne e sustenta", explica Elena. "A inspiração vem desse lugar afetivo e coletivo das casas brasileiras e latino-americanas, a cozinha, a mesa posta, o ambiente onde a vida realmente acontece."
O projeto organiza uma narrativa de memória compartilhada, um espaço que parece familiar mesmo para quem o visita pela primeira vez.
"Mais do que criar um restaurante, quisemos traduzir a sensação de pertencimento e de afeto que a comida desperta. O projeto parte dessa lembrança quase ancestral de estar reunido em volta da mesa."
A materialidade sustenta essa atmosfera. Madeira, tons terrosos, cobre, vegetação natural e luz quente constroem um ambiente de permanência.
"A principal intenção foi criar um espaço que abraçasse as pessoas. Um ambiente acolhedor, quente e sensível. Queríamos que o visitante sentisse conforto e conexão, não só com o espaço, mas com suas próprias memórias."
No piso, o laminado amadeirado Vision Carvalho Vitoriano, da Quick-Step, estabelece a base sensorial do projeto. A textura e a tonalidade da madeira reforçam a continuidade entre os materiais e ajudam a unificar o conjunto. "A tonalidade e a textura do piso ajudaram a criar uma base quente e orgânica, dialogando de forma muito harmônica com as cerâmicas e os ladrilhos. Isso foi essencial para dar unidade ao espaço sem perder riqueza sensorial", diz Elena.
Além da estética, a escolha responde ao uso intenso do ambiente. O Vision Carvalho Vitoriano combina o aspecto natural da madeira com alta performance, incluindo resistência à água por até 100 horas e classificação AC5, indicado para áreas de grande circulação e uso comercial. Um equilíbrio entre desempenho e atmosfera.
Entre os elementos mais marcantes está uma parede inspirada na estética do cordel, com passarinhos de cerâmica sob a escada. O destaque vai além da forma, está no processo.
"Acredito que o grande destaque seja a parede com tema cordel e passarinhos de cerâmica. Ela foi pintada pelos próprios alunos de Arquitetura e Urbanismo, então carrega a personalidade de cada um."
O projeto foi desenvolvido pelas estagiárias do EMAU, envolvendo estudantes em todas as etapas, do conceito à execução. Mais do que um exercício acadêmico, tornou-se uma experiência prática de arquitetura colaborativa. O cronograma apertado exigiu intensidade da equipe. "O tempo era bastante curto, o que exigiu um processo muito comprometido de criação e execução."
Para Elena, o significado do projeto vai além da mostra. "Participar de uma mostra como essa é uma oportunidade importante na formação acadêmica, porque mostra que a arquitetura acontece na prática, através da colaboração e da capacidade de adaptação."
"O TERRA representa um projeto muito especial porque vai além do resultado estético ou espacial. Ele carrega um significado coletivo."
A experiência aproximou os alunos da prática profissional real, com seus desafios e aprendizados. Mais do que um ambiente de mostra, o TERRA sintetiza uma visão de arquitetura.
"Dentro da minha trajetória, o TERRA reforça o tipo de arquitetura em que acredito, uma arquitetura humana, afetiva e conectada às pessoas."
No fim, o espaço permanece menos pela forma e mais pela experiência. Porque alguns projetos não são apenas vistos, são vividos.